Caixa de Pandora

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

GEARTE - Grupo de Pesquisa em Educação e Arte


Fica a dica para quem quer ler um pouco mais sobre Arte e Educação:
Artigos, Teses, Dissertações, publicações e dicas preciosas. 
Entrem no site da GEARTE e boa leitura.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Traduzir-se (poema de Ferreira Gullar interpretado por Adriana Calcanhoto)

Calaméo: Guia de apoio

A construção do Objeto de Aprendizagem fez com que descobríssemos ferramentes novas e muito úteis, como por exemplo o Calaméo, que funciona como um repositório de textos e imagens em diversos formatos, inclusive revista. O programa é muito intuitivo, fazendo com que qualquer pessoa possa editar e compartilhar suas publicações. Recomendo. 
Deixo abaixo um pequeno guia de apoio com algumas ferramentas do Calaméo que podem ser úteis para quem utiliza blogs e gosta de incorporar elementos às suas publicações. 


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Só a arte nos salva - Fernando Pessoa


Ophelia - Paul Steck 

Só a arte salva
A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos. Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos ― vis porque são nossos e vis porque são vis.

O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são formas elementares da arte, ou, antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono, e drogas tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo ou multa que paguemos por ter gozado dela.

O prazer que ela nos oferece, como em certo modo não é nosso, não temos nós que pagá-lo ou que arrepender-nos dele.

Por arte entende-se tudo que nos delicia sem que seja nosso ― o rasto da passagem, o sorriso dado a outrem, o poente, o poema, o universo objectivo.

Possuir é perder. Sentir sem possuir é guardar, porque é extrair de uma coisa a sua essência.

Fernando Pessoa, no Livro do Desassossego.

domingo, 21 de outubro de 2012

Percurso Individual do Objeto de Aprendizagem


PERCURSO INDIVIDUAL:

Objeto de Aprendizagem: CAIXA DE PANDORA

Sônia Maris Rittmann

Pensar na criação de um Objeto de Aprendizagem, único, que possa dar conta da diversidade de linguagens propostas a partir do eixo articulador Atelier - com a exigência de abordar pelo menos três linguagens (desenho, pintura, escultura e fotografia, das pranchas, do conjunto de projetos elaborados para serem desenvolvidos, parece-me uma tarefa, se não impossível, bastante difícil de ser realizada. Difícil, não impossível.

Quando falamos em linguagens, devemos lembrar que o homem é um ser simbólico, e como tal, capaz de criar símbolos, que têm a função de ordenar e interpretar o mundo em que vive. Usamos a linguagem, verbal e não-verbal, para nos expressar e re-ordenar o mundo a nossa volta. Dito de outra forma é através da linguagem que interagimos com o outro e com o mundo. Nas palavras de Miriam Celeste Martins:

 (...)nossa penetração na realidade, portanto, é sempre mediada por linguagens, por sistemas simbólicos. O mundo, por sua vez, tem o significado que construímos para ele. Uma construção que se realiza pela representação de objetos, ideias e conceitos que, por meio dos diferentes sistemas simbólicos, diferentes linguagens, a nossa consciência produz.¹

A arte é criação das linguagens – visual, musical, cinema, dança, poesia – que se articulam, se conectam e dão corpo ao que o homem pretende dizer. Lembremos que o homem utiliza as linguagens desde os remotos tempos das cavernas, manifestando seus desejos, sonhos, ideias, medos...

            A partir dessas reflexões que surgiu a ideia de criar um Objeto de Aprendizagem que levasse em conta parte dessa história de amor e ódio que move o homem desde os tempos mais remotos até os dias de hoje, com uma carga simbólica que remetesse tanto a figura humana – homem-mulher – quanto às crenças e medos que acompanham o homem desde sempre, além do poder de sintetizar o mito do conhecimento, objeto de desejo e estudo de toda uma vida. É a partir dessa lógica que proponho o Objeto de Aprendizagem Caixa de Pandora.

Abaixo elenco meu percurso individual até o presente momento, com parte do processo de acertos e desacertos, “errâncias”, as derivas surgidas a partir de muita pesquisa e discussão madrugadas a dentro, enfim, como não canso de repetir, segue em processo...

  1. Pranchas: justificativa, conceitos e articulações:
  1. Pré-projeto:
  1. Eixo operacional:
  1. Fichamento dos projetos:
  1. Objeto de aprendizagem: fisicalidade:
Textos:
Objeto:
  1. Objeto de aprendizagem: virtualidade: Não tenho preferência por nenhum programa específico, utilizarei o que for necessário e mais adequado à transposição do Objeto de Aprendizagem físico para o virtual.
  2. Trabalho de Conclusão de Curso: artigo (em processo)

domingo, 14 de outubro de 2012

Dilemas da arte/educação


  "Relatividade" M.C. Escher - 1953

Nos últimos anos estamos vivendo uma transformação tecnológica radical. Essa transformação, que alguns chamam de revolução tecnológica, afeta a todos os segmentos da sociedade, e, certamente, a educação e a arte. O texto de Ana Mae faz um recorte bastante significativo e traz a tona uma discussão extremamente pertinente sobre arte, educação, mediação cultural e tecnologias contemporâneas. A partir de um breve histórico dos conceitos modernistas e pós-modernistas de arte e de educação, da constatação do preconceito que cerca a arte/educação no Brasil, através de exemplos de instituições e museus que utilizam diferentes abordagens expositivas com foco na educação, as críticas à abordagem de muitos dos CD-ROMs e sites de instituições, ela chega ao que se entende como a visão contemporânea de mediação em arte, utilizando a tecnologia não apenas como um meio de transmissão de informações, mas um meio “interativo” (pouco estudado em seus efeitos, segundo ela) de apreciação e experimentação em arte.

Creio que o exemplo mais significativo que Ana Mae nos traz é o de Nicholas Serrota, diretor do Tate Gallery e Tate Modern, que propõe a organização das exposições de arte em que enfatiza a experiência da recepção do apreciador e não como era feito até então com ênfase na obra ou no produtor. Ao propor o diálogo entre diferentes movimentos, épocas e estilos, mudam os paradigmas, mudam também o entendimento sobre a arte, a educação, a mediação.

“A tecnologia não apenas transforma as práticas cotidianas, mas também os modos de produção intelectual e dilui os limites entre compreensão e certeza”

A tecnologia é uma realidade presente em nossas salas de aula. Poucos alunos ainda utilizam dicionários de papel, a maioria pesquisa diretamente nos seus celulares conectados a WEB, em sites nem sempre confiáveis, mas extremamente rápidos. Cada palavra e ação nossa em sala de aula é imediatamente jogada na Internet, em sites como youtube, facebook, twitter, ou outro que venham a inventar enquanto digito esse texto. Rapidamente nossos alunos aprendem a utilizar ferramentas como editores de texto, imagens, vídeos, áudio... Por que não aproveitar essa disposição para o ensino da arte, para pensar arte, produzir arte e contextualizar arte?

“Percepção, memória, mimeses, história, política, identidade, experiência, cognição são hoje mediadas pela tecnologia.(...) Participação, representação, desejo, criação, expressão são conceitos transformados pela ação da tecnologia”.

Creio que é nessa brecha que podemos agir. Questionar, provocar, instigar alunos, colegas, pais a repensar a utilização da tecnologia seria um primeiro passo, perder o medo da tecnologia e usá-la a nosso favor é uma opção quase que obrigatória, sob o risco de ficarmos falando sozinhas em sala de aula, enquanto nossos alunos apreciam qualquer outra coisa que esteja no formato “digital” em frente aos seus olhos, ouvidos e cérebros.

Cabe aqui destacar que as colegas do curso de artes visuais contribuíram significativamente para a discussão trazendo suas impressões sobre o texto, e que fiquei particularmente tocada pelas colocações da colega Claudia Tedesco (do fórum do polo Gramado) por também compartilhar de algumas das dúvidas que ela tão bem enumera:
“Pois quem tem cultura tem poder.
E quem tem educação tem o quê?
A quem interessa que o povo não tenha cultura?
Será que é por isso que as escolas que possuem bons laboratórios de informática não possuem internet?
As escolas que possuem a internet não possuem monitores para atender aos alunos?
E as que possuem tudo e os laboratórios permanecem fechados para que os materiais não estraguem?
Os professores que utilizam vários recursos tecnológicos como vídeos e data show, são vistos pelos como “matões” e não ministram os conteúdos previstos?
Tecnologias contemporâneas: como usá-las como instrumento de mediação cultural?
Como inserir a produção dos alunos com o espaço virtual? Não basta jogar na rede é preciso contextualizar diante das diversas realidades.
Como formar um público que pesquise, analise e formule e reformule suas próprias considerações?
Como inserir o aluno neste espaço de forma a desenvolver sua criatividade e imaginação?”(TEDESCO)

Como de costume, temos muito mais dúvidas do que certezas, mas fico feliz em saber que não estamos sozinhas nessa caminhada, que estamos, mesmo que distantes fisicamente, separadas por vários quilômetros, tão próximas, virtualmente, devido aos interesses, pensamentos e “dilemas” sobre arte, educação, mediação, tecnologia, política e vida. 
 
Referências:
BARBOSA, Ana Mae. Dilemas em arte/educação como mediação cultural em namoro com as tecnologias contemporâneas. Disponível em:
Acesso em 14/10/2012.

TEDESCO, Claudia. Disponível em
Acesso em 14/10/2012.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Fotografia: olhando o mundo através de outras lentes


Mesa de fotógrafo Fernanda Sanson fs.photos.fs@gmail.com

Fotografia: olhando o mundo através de outras lentes
Sônia Maris Rittmann
Polo POA 01 UFRGS
"(…) já está no terreno de quem pensa que tudo o que não é fotografado é perdido, que é como se não tivesse existido, e que então para viver de verdade é preciso fotografar o mais que se possa, e para fotografar o mais que se possa é preciso: ou viver de um modo o mais fotografável possível, ou então considerar fotografáveis todos os momentos da própria vida. O primeiro caminho leva à estupidez. O segundo, à loucura."
 “A aventura de um fotógrafo”, Ítalo Calvino
Justificativa:
Vivemos em um século em que as transformações tecnológicas acontecem de forma muito acelerada. As facilidades de acesso às diferentes mídias digitais é um fato inegável. O computador e a Internet, hoje, são mais do que meras ferramentas de trabalho, são meios de comunicação que se transformaram em verdadeiras linguagens que servem para expressar os mais diferentes propósitos.
Nós, como professores de arte, não fugimos a essa alucinante evolução e fazemos uso de muitas das ferramentas disponíveis no mercado. Cabe aqui ponderar se esse uso que está sendo feito está acompanhado da devida reflexão sobre os impactos dessa tecnologia no desenvolvimento de nossos alunos e em quanto uma aula que usa a tecnologia não está apenas mudando a ferramenta sem que haja uma efetiva transformação de conteúdo, metodologia e relacionamento com o outro. É impensável nos dias atuais privar quem quer que seja da informação, seja ela concreta ou virtual, porém devemos fazer isso sempre com muito cuidado e atenção para o fato de que “informação não é conhecimento”, e que para que se transforme em conhecimento é necessário que trabalhemos nessa questão.
Objetivo Geral:
O presente projeto, que deverá ser aplicado em uma turma de 1º ano do Ensino Fundamental Politécnico da EEEB Profº Gentil Viegas Cardoso, em que trabalho, em Alvorada-RS, tem como premissa explorar e entender, ao menos em parte, o processo fotográfico para além de uma técnica de reprodução, através da pesquisa da história da fotografia, dos grandes nomes da fotografia mundial, das diferentes funções que a fotografia exerce no mundo contemporâneo.
Objetivos Específicos:
* Fotografia enquanto linguagem artística;
* Elementos básicos da fotografia: planos, foco, movimento, cor, textura. Iluminação, perspectivas, equilíbrio e composição; regra dos terços;
* Utilização do blog como espaço de aprendizagem e socialização de descobertas, conhecimentos e trocas significativas sobre fotografia, arte e educação;
Desenvolvimento:
* Sensibilização através da audição da música “Esquadros” de Adriana Calcanhoto;
* Apreciação e leitura de imagens de grandes fotógrafos mundiais (banco de imagens), com especial atenção para a fotografia de Claudia Andújar (prancha), Sebastião Salgado e Vik Muniz;
* Jogo interativo sobre a fotografia (itaucultural);
* Pesquisa da história da fotografia, do analógico ao digital, as transformações ocorridas em tempos e contextos diferentes;
* Leitura e discussão de alguns textos sobre fotografia:
*A fotografia e a Web;
* Estudo dos diferentes usos e funções da fotografia ontem e hoje;
* O uso do celular como ferramenta de captura de imagens;
* Instagram, benção ou maldição?
* A banalização das imagens;
* A fotografia como linguagem a serviço da arte;
* Tratamento de imagens - programas que podemos utilizar: editores, álbuns online, utilitários;
* Experimentação fotográfica a partir de um novo olhar, produzindo suas próprias fotografias, experimentando os recursos expressivos da linguagem fotográfica em suas criações;
* Saídas de campo para captar as fotografias:
* Seleção das imagens que deverão ser postadas no blog: o que selecionar? Por quê? Critérios utilizados para as escolhas? Relevância das imagens? Ou outras questões que poderão surgir no decorrer dessa etapa;
* Socialização da experiência fotográfica e discussão dos aprendizados por intermédio dos blogs Imagem e reflexão e  Projeto Ler é Arte;
* Por fim, os resultados das produções dos alunos deverão integrar a mostra anual organizada pela área da Linguagens, o Projeto Ler é Arte, espaço tradicional da escola de socialização de produções artísticas e culturais da toda a comunidade escolar.

Espaço:
O espaço ideal para a realização desse projeto é a sala de informática com acesso aos softwares de edição de imagens disponíveis online. Outra opção seria através de notebooks com acesso à web. Além disso, para os exercícios práticos, espaços abertos e públicos, deverão ser estimulados através de saídas de campo para captura de imagens e diálogo sobre melhores soluções para as fotografias.
Recursos utilizados (coletivos):
* Banco de imagens e vídeo (pendrive) a ser apreciado na sala multimídia através com utilização de datashow e projeção de slides em telão;
* Programas de edição de imagens: Picasa, Photoshop, Pixlr, entre outros;
* Máquinas fotográficas (acervo pessoal) analógica e digital;
* Postais de fotos antigas e novas Revistas sobre fotografia (acervo pessoal);
* Pranchas de imagens (acervo pessoal e acervo da escola);
* Sala de informática com acesso à web para pesquisa, edição e postagens no blog.
Recursos utilizados (individuais):
* Máquina fotográfica ou celular com câmera  (solicitar que alunos tragam as suas);
* Pendrive para armazenamento das imagens;
* Bloco para anotações;
Recursos complementares:
Blog Projeto Ler é Arte:  http://projetolerearte.blogspot.com.br/
Blog Imagem e Reflexão:  http://imagemereflexao.blogspot.com.br/
Pixlr. Editor de imagens online. http://pixlr.com/editor/
Master of Photography. Sebastião Salgado.
Jogo educativo Itaucultural-Fotografia.
Vídeo:
Música: Esquadros de Adriana Calcanhoto
Tempo estimado:
O Projeto, Fotografia: olhando o mundo através de outras lentes, do modo como foi pensado deverá ser executado em um trimestre de estudos, com aulas semanais de um período semanal.
Avaliação:
A avaliação se deverá ser em dua etapas: primeiramente individual, através dos registros escritos dos alunos, num processo reflexivo sobre a sua própria aprendizagem, a seguir, através de um diálogo coletivo entre os participantes do projeto, auto-avaliativa.
Principais referências bibliográficas:
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte: anos oitenta e novos tempos São Paulo: Perspectiva: Porto Alegre: Fundação IOCHPE, 1991.
Miasato, Lea. Fotografia: olhar que olha para dentro e para fora. Disponível em http://www.artenaescola.org.br/sala_relato.php?id_relato=165 Acesso em 03/04/2011.
Para ir mais longe e aprofundar as pesquisas: Sites e blogs sobre arte, fotografia e educação:

domingo, 7 de outubro de 2012

AVA: A mansão de Quelícera


A mansão de Quelícera

 Para as colegas que estão trabalhando com o Eixo Operacional Ludicidade , que não é o meu caso, deixo uma dica: o game educativo A Mansão de Quelícera.

É uma aventura investigativa criada a partir de pinturas da história da arte e baseada num conto de mistério. Também é recurso educacional para o ensino de arte, composto de game em CD-Rom e site de apoio ao educador, que desde 2008 é recomendado pelo Ministério da Educação (MEC) para ser implantado nas escolas de todo o Brasil. Claro que ainda não foi. Porém, é possível jogar online ou baixar alguns dos aplicativos e utilizá-los off-line. Os espaços são bastante instigantes e é possível passar hora explorando os mesmos. Deixo algumas imagens para que vocês mesmos possam perceber a riqueza de detalhes.

Os espaços são bastante instigantes e é possível passar hora explorando os mesmos. Deixo algumas imagens para que vocês mesmos possam perceber a riqueza de detalhes.

 Hall

Quarto 1



 
Sótão
 
Site do jogo

Site do educador

Baixar do jogo gratuitamente (51 MB)

“A estrutura de aventura investigativa suscita ao jogador um olhar desacelerado e interpretativo, semelhante aquele lançado à obra de arte no processo de fruição. Assim, o jogo é espaço de experiência artística, fundamentado no pensamento do esteta H. G. Gadamer.” No site do educador você encontra dicas de como melhor utilizar os recursos disponíveis.

O projeto foi proposto e desenvolvido por Casthalia em parceria com o Centro de Artes da UDESC, sob coordenação do Prof. Dr. Antonio Vargas. Foi parcialmente financiado pelo Ministério da Cultura, Eletrobras e FAPESC. 

 Site do Casthalia

O Casthalia ainda oferece outro jogos em seu site que podem ser baixados para seu computador ou jogados online. Um mini-museu interativo e um vídeo bastante bacana. A escolha do que utilizar vai depender apenas do tipo de trabalho que o professor quer desenvolver e das condições da escola.

Referência:

http://www.casthalia.com.br/portfolio/quelicera_por.html

Outros jogos do grupo Casthalia:

sábado, 6 de outubro de 2012

Arte e Tecnologia



Lendo e relendo os textos disponibilizados no ambiente, explorando os diferentes AVAS, ponderando sobre as colocações das colegas, que tão sabiamente expõem a situação em que se encontra a educação pública no nosso estado atualmente, não pude parar de pensar em uma frase que a professora Biazus destaca na apresentação de seu livro “Projeto AprenDi: Abordagens para uma Arte/Educação tecnológica”:

“O olhar do menino que desenha o seu percurso até a escola numa folha de papel na escola, borda num retalho de pano, que irá transformar-se num manto mágico, e que descobre que esta viela que serpenteia por entre casebres existe num mapa maior, que ele pode visualizar numa tela conectada na rede, revela que os fazeres da arte estão imbricados no e com os processos da tecnologia digital.(..)”¹

Imagem saborosa essa do menino que descortina pela primeira vez através do Google Maps, do ponto mais distante, a imagem da Terra - azul esverdeada - se aproximando lentamente, que aos poucos vai ganhando contornos, sombras, volumes, percebendo e identificando os continentes, os mares, os rios –linhas sinuosas que se assemelham com galhos secos de árvores, talvez veias por onde corre o nosso sangue, simplesmente espetacular ver o olho brilhando daquele menino, que aos poucos começa a vislumbrar um outro mundo, que é o mesmo, mas que se mostra de forma tão nova e arrebatadora que nunca ele havia imaginado.

Os céticos podem dizer que ele já havia manuseado Atlas de papel, mapas, desenhos com representações de sua cidade...Eu digo: não tem comparação. O impacto que uma imagem captada, diretamente do espaço, por um satélite que fica a milhares de quilômetros da terra, causa sim uma mudança profunda na compreensão do universo. Sentimo-nos do tamanho que realmente somos, compreendemos a imensidão do universo e a pequenez do ser humano.

“Qualquer linha divisória que se queira traçar entre os fazeres na contemporaneidade só existe em nossas mentes. Arte e tecnologia na educação, educação em mídia arte ou educação tecnológica são modos de nomear os processos que se delineiam nos currículos escolares hoje.”¹

Penso que ao proporcionarmos aos nossos alunos a experiência de utilizar algumas das ferramentas tecnológicas das que dispomos hoje em dia, qualquer uma que seja, mesmo que de forma precária, limitada, estaremos abrindo possibilidades para esse menino, provocando uma mudança de perspectiva, possibilitando que esse menino possa ampliar seu repertório visual, cultural, estético; auxiliando-o a relacionar o que vê com o que ele vive, valorizar o mundo em que ele vive e ver a beleza do que o cerca. Porém, penso que de nada adiantará essa disponibilidade tecnológica sem que se faça um trabalho sério de mediação, de interlocução, que possa resgatar questões que são do campo da arte, mas que são também do campo da cultura, da sociedade, da cidadania.
 
Referências:
¹BIAZUS, M.C.V. Projeto AprenDi: Abordagens para uma Arte/Educação tecnológica.
Disponível em




"Prometheus" - Goethe - 1774

"Prometheus"
"Encobre o teu Céu ó Zeus
com nebuloso véu e,
semelhante ao jovem que gosta
de recolher cardos
retira-te para os altos do carvalho ereto
Mas deixa que eu desfrute a Terra,
que é minha, tanto quanto esta cabana
que habito e que não é obra tua
e também minha lareira que,
quando arde, sua labareda me doura.
Tu me invejas!
(...)
Eu honrar a ti? Por quê?
Livraste a carga do abatido?
Enxugaste por acaso a lágrima do triste?
(...)
Por acaso imaginaste, num delírio,
que eu iria odiar a vida e retirar-me para o ermo
por alguns dos meus sonhos se haverem
frustrado?
Pois não: aqui me tens
e homens farei segundo minha própria imagem:
homens que logo serão meus iguais
que irão padecer e chorar, gozar e sofrer
e, mesmo que sejam parias,
não se renderão a ti como eu fiz" 

 "Prometheus" - Goethe - 1774

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

reflexões sobre o Objeto de Aprendizagem


Prometeu Acorrentado
Olá, pessoal!
Estou num impasse hercúleo quanto ao meu Objeto de Aprendizagem.
Nesse momento, aguardando orientações da minha tutora de Seminário Integrador 8 sobre a continuidade do mesmo, estou numa fase no mínimo curiosa. Fiz um acordo com meu Objeto de Aprendizagem: eu não mexo com ele e ele não mexe comigo. Brincadeiras à parte, o Objeto está parado. Estagnado. Sem vida. Eu, junto com ele, me sinto acorrentada, sem saber muito bem o que fazer. Sem nenhum feedback (das etapas 1, 2 e 3), encontro-me em letargia profunda. Sem resposta de se devo ou não prosseguir, sem saber ao certo se devo ou não concretizá-lo como está no projeto, sem saber se devo corrigir o rumo do mesmo, o Objeto permanece apenas no papel (na verdade, no HD).
“Nesta etapa vamos construir fisicamente o objeto de aprendizagem: Lembre-se de que antes de você iniciar a construção do objeto de aprendizagem o seu projeto deverá estar coerente com os projetos de trabalho do eixo operacional escolhido, e precisará ter passado por todas as etapas de revisão após as orientações recebidas.” (orientações da etapa 4 do Seminário Integrador 8)
Vejo colegas que algumas estão bastante adiantadas em suas construções e minha angústia só aumenta. Parabéns a todas que estão conseguindo fazer seus objetos, concretamente, por que eu não estou. Digo isso sem nenhuma vergonha – até porque sempre tive bastante facilidade para realizar a maioria das atividades propostas – e não sem uma pontinha de preocupação, por que os prazos vão encurtando muito rapidamente. Gostaria de obter alguma resposta e poder dar prosseguimento ao Objeto de Aprendizagem, seja para construí-lo, seja para recomeçar do zero.
Isso tudo tem no mínimo um agravante, pois pelo que entendi até o momento, o Objeto de Aprendizagem deveria servir de base para a construção de parte do TCC... Estou certa?
Sinto-me impotente diante de tanto abandono. Lamento profundamente caso tenha sido injusta com alguém em minhas colocações, mas não posso deixar passar mais tempo, pois corro o risco de ficar sem nenhum tempo.
Abraços,
Sonia Maris

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ainda sobr o tempo...


Asas do Desejo- Win Wenders


"(...)nosso tempo não pertence a mais ninguém somente a nós mesmos, nós o valoramos, e é dentro desse tempo que nos pertence que construímos o que corresponde a um olhar único, fruto dessa vida que cada um de nós constrói a partir de uma experiência que é única, e somente por ser única é que pode ser compartilhada.(...)" Umbelina Barreto

domingo, 30 de setembro de 2012

AVA (ambiente virtual de aprendizagem)



 
Antes de aprofundar os estudos em Ambientes Virtuais de aprendizagem (AVA), temos que considerar que são sistemas computacionais disponíveis na internet, destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação, e que são amplamente utilizado nos meios acadêmicos por:

 “(...)educadores, comunicadores, técnicos em informática e indivíduos envolvidos com a interface educação e comunicação, mediados pela tecnologia das redes telemáticas de informação e comunicação. (...) Os AVAs priorizam a aprendizagem colaborativa, a construção compartilhada do conhecimento, a interatividade, a subjetividade, a autonomia e o desenvolvimento de uma consciência crítica nos estudantes”¹

Feita essa primeira leitura, passemos aos espaços que utilizamos atualmente e, por fim, aos que podemos agregar às nossas práticas como professoras de arte. No mundo contemporâneo não é mais possível pensar em arte e educação sem o uso da tecnologia. A cada dia somos brindados com os mais diversos aplicativos, online ou não, que podemos usar integralmente ou apenas de forma eventual para alguma atividade relacionada às nossas práticas diárias.
Impossível não pensar, primeiramente, nas ferramentas que já utilizamos, muito especificamente, nas facilidades que as redes sociais (facebook, por exemplo) nos possibilitam, na comunicação instantânea com que podemos estabelecer com nossos alunos, nas trocas de informação e conhecimentos, por intermédio de vídeos, textos, imagens, indicação de sites, jogos, e até através de discussões acaloradas em determinados grupos de discussão que podem ser criados. Indispensável ferramenta, que se bem utilizado pode render muitos benefícios aos seus usuários. Compartilhar é a palavra chave nesse tipo de ambiente virtual, a aprendizagem fica por conta da seleção feita para tais espaços. O ponto negativo que esse espaço pode ter seria a facilidade de se perder na navegação por outras “águas”... Porém, até essa “errância” faz parte do processo, pois afinal de contas, não foram as derivas que trouxeram os seres humanos  até os dias atuais?
Também, com muito espaço para criação e expressão, penso em blogs, fotologs e sites que podemos criar junto com nossos alunos, organizado por tema ou por área de interesse. Cada vez mais populares e de fácil manuseio, acredito que, se bem utilizado, pode ser um maravilhoso espaço de aprendizado. Nele, assim como nas redes sociais, podemos inserir vídeos, fotos, textos, criar fóruns de discussões temáticas, ou mesmo abrir janelas sincronizadas ao twitter, para comunicação instantânea.
Um pouco mais complexo e, talvez, com um caráter mais “educativo”, é o espaço MOODLE, utilizado por nós no curso de Artes Visuais, e que pode ser baixado gratuitamente² pela Internet, e adaptado para utilização tanto na escola de forma coletiva, como em algum curso ou atividade específico. Fácil de baixar e instalar, leve e adaptável às mais diversas necessidades, com espaços bastante didáticos e de fácil compreensão, possui todos os recursos necessários para um planejamento de médio ou longo prazo. A grande desvantagem que vejo nesse ambiente virtual de aprendizagem é que com o tempo, se mal utilizado, pode se tornar repetitivo e cansativo, o quê para quem trabalha com adolescentes, seres muito intensos e pouco afeitos às rotinas, pode ser fatal para qualquer projeto.
O mais interessante ambiente virtual de aprendizagem que utilizo em sala de aula, atualmente, é o Google ArtProject³, espaço colaborativo que reúne museus espalhados pelo mundo todo, oferecendo visitas virtuais em diversas das suas salas, podendo ainda visualizar algumas das obras de arte disponíveis em imagem de alta resolução. O sistema semelhante ao Street View possibilita a visualização de quadros, ilustrações, fotografias, esculturas, etc., um banco de dados com informações das obras, dos artistas e dos museus. De fácil navegação, seu acervo virtual não para de crescer, e a cada semana se têm notícias de mais um museu que adere ao projeto. Para acesso às obras o visitante pode escolher percorrer os museus virtuais por diferentes caminhos: coleções (mapa mundi), artistas, obras de arte ou ainda galerias dos usuários. Essa última opção, galeria de usuários, permite que você crie sua “coleção” particular de obras. O tour virtual é semelhante ao Google Street View, podendo o usuário mudar o ângulo de visão de cada sala visitada, circulando pelos ambiente de forma muito próxima do real.
De forma muito resumida e não querendo esgotar o tema, penso que todo e qualquer ambiente virtual de aprendizagem pode vir a ser utilizado em sala de aula como auxiliar do professor de artes visuais, desde que faça parte de um planejamento adequado ao tipo de conhecimento que o professor deseja trabalhar. Dito de forma acadêmica os Ambientes Virtuais de Aprendizagem “permitem integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos, apresentar informações de maneira organizada, desenvolver interações entre pessoas e objetos de conhecimento, elaborar e socializar produções tendo em vista atingir determinados objetivos.”

Referências:
Maio, Ana Zeferina Ferreira. Da janela da alma ao ciberespaço: ambiente virtual de aprendizagem em artes visuais. Disponível em
²MOODLE. Disponível em
³Google ArtProject. Disponível em
Almeida, Maria Elizabeth Bianconcini. Ambiente Virtual de Aprendizagem. Wikipedia.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Jarbas Jácome, Humano, Demasiado Humano


Jarbas Jácome, Humano, Demasiado Humano

 


Pode até parecer que não temos nada para fazer e que ficamos o dia inteiro pesquisando na internet e que não temos vida própria, mas confesso, muitas vezes as descobertas são pura obra de derivas por outras paragens... Então, dando continuidade a nossa interlocução sobre arte, tecnologia e cibercultura, descobri outro trabalho bem bacana do nosso artista escolhido.
Pensei em selecionar apenas alguns fragmentos do material pesquisado sobre essa outra obra do artista Jarbas Jácome, mas depois, pensando melhor, percebi que muito do que ele propõe se perderia nessa “interpretação”.
Jarbas Jácome adora Nietzsche, e eu também, talvez por isso a minha empolgação com a descoberta desse artista, multi-talentoso, músico, cientista da computação, vencedor de vários prêmios nas áreas em que atua, e que, diferentemente de muitos, disponibiliza em seu site materiais: projetos, esquemas gráficos das montagens de suas obras, teses, rascunhos, códigos free e fluxogramas para todos que se interessarem por programação de computadores. Além disso, ainda desenvolve projetos de capacitação e multiplicação arte-computação em escolas. Generosidade é mais uma das qualidades dele. Ponto para a Humanidade.
Então, transcrevo abaixo o que o próprio Jarbas diz sobre sua obra “Humano, Demasiado Humano” de Jarbas Jácome:
“67.Sancta Simplicitas37 da virtude. – Toda virtude tem privilégios: por exemplo, o de levar seu próprio feixezinho de lenha para a fogueira do condenado.
(37) “sancta simplicitas“: “santa simplicidade” – expressão atribuída a Johann Hus, o sacerdote checo condenado por seu reformismo, ao ver uma velha senhora jogar um pouco de lenha na fogueira onde estava sendo queimado, em 1415.
530. Gênio tirânico. – Quando está vivo na alma um desejo invencível de se impor tiranicamente, e o fogo é constantemente animado, mesmo um pequeno talento (em políticos, artistas) torna-se aos poucos uma quase irresistível força natural.
566. Amor e ódio. – O amor e o ódio não são cegos, mas ofuscados pelo fogo que trazem consigo.
570. Sombras na chama. – A chama não é tão clara para si mesma quanto para aqueles que ilumina: assim também o sábio.
585. Pensamento mal-humorado. – Aos homens sucede o mesmo que aos montes de carvão na floresta. Apenas depois de terem queimado e carbonizado, como estes, os homens jovens se tornam úteis. Enquanto ardem e fumegam, são talvez mais interessantes, mas inúteis e freqüentemente incômodos. – De modo implacável, a humanidade emprega todo indivíduo como material para aquecer suas grandes máquinas: mas para que então as máquinas, se todos os indivíduos (ou seja, a humanidade) servem apenas para mantê-las? Máquinas que são um fim em si mesmas – será esta a umana commedia?
604. Preconceito a favor das pessoas frias. – Pessoas que rapidamente pegam fogo se esfriam depressa, sendo então de pouca confiança. Por isso as que são sempre frias, ou assim se comportam, têm a seu favor o preconceito de que são particularmente seguras e dignas de confiança: são confundidas com aquelas que pegam fogo lentamente e o conservam por muito tempo.
Os aforismos acima foram selecionados de Humano, Demasiado Humano: um livro para espíritos livres; tradução de Paulo César de Souza (2005). Título original: Menschliches, Allzumenschliches. Ein Buch für freie Geister (1878, 1886), Friedrich Wilhelm Nietzsche.
A instalação Humano, Demasiado Humano consiste em uma sala escura com uma caixa de fósforo na entrada da sala. Espera-se que o visitante pegue a caixa, entre na sala e risque o fósforo. O fósforo aceso desencadeia imediatamente a execução de um vídeo de um galho de madeira queimando projetado em uma das paredes da sala com o som amplificado.
Os materiais e técnicas utilizados nessa instalação são: caixa de fósforo, webcam, projetor e computador rodando GNU/Linux, Pure Data/GEM utilizando o objeto pix_blob para a detecção da luz do fósforo ao ser aceso.
A idéia da instalação surgiu em 2008 entre um encontro e outro com a artista plástica pernambucana Juliana Notari, com quem primeiramente falei da idéia que tive na época e a convidei para desenvolvê-la junto comigo, mas acabamos não tendo oportunidade de fazê-lo. Acabei retomando a idéia para desenvolvê-la durante uma oficina que fui convidado para mediar no Conexões Estéticas, idealizado pela Professora Walmeri Ribeiro do curso de Cinema e Audiovisual da UFC. O objetivo principal da oficina foi apresentar aos artistas residentes Camila Vieira, Emilly Gama, Luciana Vieira, Nathália Araújo, Shirley Martins e Tarcísio Rocha o software Pure Data/GEM, afim de que os mesmos pudessem depois desenvolver suas próprias instalações interativas. Além disso alguns deles, Luciana, Tarcísio, junto com a Luana Santos contribuiram para a gravação das imagens do fogo utilizada na instalação que também contou com a ajuda fundamental de Cesar Baio para operação da câmera e Shirley Martins para captação do som, assim como Walmeri Ribeiro, Fernanda Gomes que também estavam presentes e Jaime Vieira que cedeu a casa para a gravação do vídeo.
A gravação desse vídeo de demonstração da instalação foi feita durante a abertura da exposição Conexões Estéticas no Casa Alpendre (Rua José Avelino, 495 — Praia de Iracema — Fortaleza/CE) no dia 13 de dezembro de 2010.
A montagem da obra para esta exposição contou com a ajuda fundamental de César Baio, Tarcísio Rocha, Luciana Vieira, Luana Santos e Walmeri Ribeiro e Dino e Alexandre ambos do Alpendre.
Referências:
vídeo no youtube: