Caixa de Pandora

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Teoria do Conhecimento e Epistemologia

Platão


Teoria do conhecimento, gnosiologia, crítica do conhecimento ou epistemologia são alguns dos nomes que pode ter a disciplina filosófica que trata do estudo do conhecimento humano e que tenta responder as seguintes questões: O que é conhecimento? É possível o conhecimento? Qual o fundamento do conhecimento? Quais os tipos de conhecimentos? Qual o valor desses diferentes conhecimentos?Quais as formas de se ‘adquirir’ conhecimento’? Por que desejamos conhecer?...



O primeiro passo para tentar compreender essa intrigante disciplina pode começar pela definição de ‘conhecimento’. Conhecimento (do Lat. Cognoscere) é definido, pelo Dicionário Básico de Filosofia de Hilton Japiassu, como procurar saber, conhecer, ou como apropriação intelectual de determinado campo empírico ou ideal de dados tendo em vista dominá-los ou utilizá-los; designa tanto a coisa conhecida quanto o at de conhecer (subjetivo) e o fato de conhecer.



Podemos definir conhecimento como “o pensamento que resulta da relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido”. É através do conhecimento que o homem procura “estabelecer semelhanças, diferenças, contigüidades, sucessão de fatos, causalidades” que possibilita a esse homem por ordem no caos (desordem), agir sobre o mundo e tentar transformá-lo. Conhecer é incorporar um novo conceito sobre um fato ou fenômeno.
Assim, podemos dizer que, teoria do conhecimento é uma disciplina filosófica que visa estudar os problemas, ou questões, levantados pela relação entre o sujeito que conhece e o objeto conhecido.



Penso que o nosso conhecimento é construído ao longo dos anos através da nossa experiência cotidiana que vamos acumulando tanto de questões de ordem prática como de ordem teórica (conceitos). É um somatório de coisas que aprendemos, assimilamos, transformamos, descartamos e recriamos. É uma re-elaboração constante, juntamos o que sabemos com algo que aprendemos, repensamos, rebatemos, fazemos pequenos ou grandes ajustes e criamos novos conceitos, novas idéias. E isso é muito bom. Renovar os conceitos é sempre bom, pois retira o ‘mofo’ da idéias pré-estabelecidas, possibilita o descarte dos pré-conceitos, dá uma ‘arejada’ nos pensamentos. “O verdadeiro conhecimento se faz pela ligação contínua entre a intuição e a razão, entre o vivido e o teorizado, entre o concreto e o abstrato, ou seja, entre a teoria e a prática”.



Existem diferentes tipos de conhecimento: senso comum, mito, Filosofia e Ciência.
O senso comum é o conhecimento espontâneo que adquirimos através de ações não planejadas, de nossas experiências cotidianas, baseia-se em geral na opinião e não tem nenhuma validade científica. Geralmente são repetidos sem nenhum questionamento. Como exemplo de senso comum podemos citar os ditos populares: "A pressa é a inimiga da perfeição”, "Se conselho fosse bom, não era dado de graça”.



O mito é um conhecimento que explica o mundo a partir da ação de entidades sobrenaturais, de forma ingênua e fantasiosa, numa tentativa de afastar o medo do desconhecido. Como exemplos de mito podemos citar: toda a mitologia grega, celta, indígena, asteca, maia... A maioria dos povos tem seus mitos, suas narrativas de tradição oral que guardam ‘explicações’ para a origem das coisas: do sol, da noite, das estrelas, do universo, do homem...



A Filosofia “é, acima de tudo, uma postura crítica permanente de questionamento das causas, das razões e do sentido de tudo”. É através do raciocínio e da reflexão que pensamos o mundo que nos rodeia. Pensamos os acontecimentos além da superfície, refletimos e analisamos os fenômenos do universo, especulamos, criamos novos conceitos. Através do esforço racional e do questionamento dos problemas que balizamos nossa forma de ser, pensar e agir. “A Filosofia incomoda por que questiona o modo de ser das pessoas, das culturas, do mundo”.



A Ciência procura descobrir de maneira racional como a natureza ‘funciona’, as relações entre os fenômenos, as relações de causa e efeito. A ciência busca o conhecimento objetivo, isto é, que se baseia nas características do objeto, com interferência mínima do sujeito. Podemos dizer que é o conhecimento racional. Utiliza-se da metodologia científica para verificar e validar suas descobertas.



Penso que é a partir da Filosofia que passamos a superar o senso comum, deixando para trás o conhecimento comum e intuitivo, sem base científica, dogmático e repetitivo, e passamos ao conhecimento filosófico, através da reflexão e de uma análise crítica da realidade. Deixamos a ingenuidade e o não questionamento e passamos ao questionamento do que já conhecemos, através da retomada dos nossos próprios pensamentos.



De maneira diversa da ciência que se apropria de pequenos recortes da realidade para fazer sua análise, “o conhecimento filosófico faz uma reflexão mais globalizante, examinando os problemas sob a perspectiva do conjunto, relacionando os diversos aspectos entre si”, de forma “interdisciplinar”. À Filosofia interessa o todo. E é nesse contexto que a Teoria do Conhecimento atua. Investigando o conhecimento, suas origens, suas possibilidades, seus fundamentos, sua extensão, seu valor.










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